Depressão: O mal do século que se alastrou como uma peste no Brasil

Vivemos em uma sociedade onde a informação nos faz ficar antenados e online 24 hs por dia, como uma questão de sobrevivência. A mídia nos convida a expor sucessos diante dos desafios enfrentados, cabendo a todos, heróis do dia a dia, a infindável tarefa de auto superação nessa desigual competição em que nos cobramos ser multitarefas, hiper- estimulados em nossas competências que precisam estar expostas virtualmente e virtuosamente.

Nesse mundo contemporâneo o espaço global supera as singularidades em prol da adequação, a positividade supera a negatividade, e nesse cenário surge a angústia, definida por Freud como a tristeza sem objeto.

O sujeito do século XXI deixa de ser o sujeito mecanicista da era industrial e passa a ser o sujeito do desempenho e da produção, pois ele é o próprio capital de si mesmo. Dono do seu meio de produção, apropriado do seu corpo, mas que se açoita, pois que é empresário de si mesmo, de seu desempenho e de sua produção, como cita Byung-Chul-Han em, seu livro entitulado A Sociedade do Cansaço, pg 23, 2017. Se somos senhores da nossa própria produção e dela dependemos para ter capacidade de consumo e consequentemente prazer, logo esse ”gozo”, depende de nossa capacidade de potência, exemplificado pelo “ Yes, we can”, podemos consumir e isso depende sistematicamente de nossa produção que deve ser maximizada, cobrando dos sujeitos “on line”, maior rapidez e produtividade, pressão por desempenho, esgotamento e gerando assim,, depressão.

O caráter positivo da sociedade aponta para o cansaço, a desmotivação, não permite a falta, tamponando o desejo. Estamos produzindo sujeitos depressivos e fracassados.

No Brasil, com a crise recorrente das questões políticas e econômicas, o caos se instaura e a Psicologia se torna cada vez mais uma questão de saúde mental, que desta vez se entranha e entrelaça, perpassando a cultura.

A perda de produção gera perda de consumo e deprime, adoecendo o país. Hoje temos adultos jovens, adolescentes e crianças, desesperançosos, desempregadas e deprimidas. Terapeutizar hoje é uma questão de sobrevivência, ressuscitando desejos no Brasil.

Prof. Dra. Adriana Gomes de Souza – MSc.