Saúde e transtornos mentais

“A pior parte de ter uma doença mental é que as pessoas esperam que você se comporte como se não tivesse”
Arthur (Coringa) Fleck.

O dia 10/10 foi dedicado ao debate sobre a Saúde Mental, entretanto, a Organização Mundial de Saúde afirma que não existe definição “oficial” de saúde mental.

Então, como entender o que é saúde mental? Só nos resta pensar que ela pode ser inferida a partir da capacidade de um indivíduo de apreciar a vida, buscando equilíbrio ao realizar seus deveres e prazeres. É comum que nem tudo o façamos nos traga prazer, mas a capacidade de lidar com frustrações, resolver problemas diários, envidar esforços para superar transtornos rotineiros, dentre tantas questões que nos afligem, nos permite desenvolver resiliência psicológica.

Saúde mental engloba o equilíbrio emocional entre o patrimônio interno e as exigências ou vivências externas, permitindo então que tenhamos capacidade de administrar a nossa própria vida e as emoções dentro de inúmeras variações, sem, contudo, perder o valor do real e do precioso.

Ter saúde mental é ser capaz de ser sujeito de suas próprias ações sem perder a noção de tempo e espaço, vivendo a vida na sua plenitude máxima, de forma contextualizada ao ambiente social.

Saúde Mental significa estar de bem consigo e com os outros, aceitando as exigências da vida. Portanto, é fundamental saber lidar com as boas emoções e também com as desagradáveis: alegria/tristeza; coragem/medo; amor/ódio; serenidade/raiva; ciúmes; culpa; frustrações. Sabemos que não somos tão lineares assim, e que, muitas vezes, nem nos damos conta do nosso desequilíbrio, sendo interessante nos conhecermos e sermos capazes de reconhecer nossos limites para solicitar ajuda quando necessário.

Alguns critérios podem ser identificados como critérios de saúde mental:

1. Atitudes positivas em relação a si próprio,

2. Crescimento, desenvolvimento e auto-realização,

3. Integração e resposta emocional,

4. Autonomia e autodeterminação,

5. Percepção apurada da realidade,

6. Domínio ambiental e competência social.

Na falta da saúde mental, nos perguntamos se estamos com um transtorno mental, mas os transtornos são caracterizados por uma combinação de pensamentos, percepções, emoções e comportamento anormais, que também podem afetar as relações com outras pessoas.

Há uma variedade de transtornos, tais como a depressão, o transtorno afetivo bipolar, a esquizofrenia e outras psicoses, demência, deficiência intelectual e transtornos de desenvolvimento.

Os transtornos mentais vêm crescendo assustadoramente, devendo passar a ser a segunda causa de afastamento do trabalho no mundo, até 2020, com uma taxa de crescimento de até 15%, segundo a OMS. Os transtornos mentais e comportamentais são universais, frequentes e atingem ¼ (um quarto) da população em algum momento da sua vida, afetando pessoas de todas as nacionalidades e sociedades, faixa etária, gênero, classe social, setor industrial, alcançando populações tanto de zonas urbanas quanto rurais. Cerca de 10% da população adulta sofre de algum transtorno mental ou comportamental, impactando as sociedades do ponto de vista econômico, afetando o padrão de vida das pessoas e de suas famílias.

A sociedade precisará passar por muitas mudanças e adaptações para lidar com essa gama de doenças psíquicas que já estão batendo a nossa porta. Portanto, ações preventivas precisam ser adotadas com máxima urgência.

O cinema estreou recentemente o filme ‘O coringa’, que abordou brilhantemente o sofrimento psíquico que fundamenta a estruturação da psiqué humana. Arthur Fleck ao citar que “A pior parte de ter uma doença mental é que as pessoas esperam que você se comporte como se não tivesse”, sintetizou brilhantemente, a dificuldade da sociedade em lidar com a pessoa com doença mental, impelindo-o a apresentar um comportamento socialmente condizente com o meio, negando assim, a doença mental.

Mais do que nunca, precisaremos cuidar de nossa saúde mental, para entendermos e apoiarmos os que apresentam transtornos mentais. O que precisamos fazer para mantermos nosso equilíbrio físico, mental e espiritual? Como sujeitos que se constituem a partir de uma subjetividade, os caminhos devem ser trilhados apropriadamente por cada um, mas o pressuposto básico é o aforismo grego ‘Conhece-te a ti mesmo”, o que deve se dar a partir da psicoterapia.

Dra. Adriana Gomes de Souza.Dra
CRP 5/16674