Janeiro branco falando de saúde mental

A campanha “janeiro branco” foi criada em Minas Gerais no ano de 2014, por psicólogas e psicólogos. Esta campanha visa conscientizar a sociedade quanto a importância de falarmos e cuidarmos da saúde mental.

Quando falamos em saúde mental, questiono-me se as pessoas tem real dimensão sobre o que de fato significa. Difícil dar um único significado a expressão “saúde mental”, pois, ela está ligada a cultura, etnia, crenças individuais e coletivas no qual o sujeito está inserido. Entretanto, em linhas gerais podemos considerar que saúde mental é o equilíbrio das nossas emoções, vivências, conflitos e pressões externas. Administrar e gerir a vida, sem que ela cause-nos sofrimento. Estar saudável mentalmente é estar bem consigo mesmo, com sua história e também com os outros. Parece fácil, mas, por vezes não lidamos bem com todas as situações que surgem e (ou) são impostas no dia a dia. Sabiamente, dizia o filósofo francês Jean- Paul Sartre, “o inferno são os outros”. Esta sentença a humanidade, faz alusão as nossas escolhas e ambições de vida que conflitam com os Outros e também com o livre arbítrio- direito de escolha. Agora, já que somos responsáveis e livres para escolher, por que negligenciamos nossa mente e os sofrimentos que ela causa? Por que vamos ao médico tratar a conjuntivite e não vamos tratar a depressão, a ansiedade, o estresse que nos tira o sono?

Janeiro branco vem ascendendo em um movimento de informar a população, quebrar tabus, mostrar o quanto a saúde mental fragilizada afeta a qualidade de vida, trabalho, relações interpessoais, autoestima. Não à toa, o Brasil lidera rankings no que se refere a depressão, ansiedade e suicídio. De acordo com OMS (Organização Mundial da Saúde) e o Ministério da Saúde (dados de outubro de 2019), cerca de 12 milhões de brasileiros sofrem de depressão, colocando o Brasil em primeiro lugar na América Latina e em segundo lugar na América, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. No que tange a ansiedade e suicídio, estamos em primeiro lugar no mundo entre os países ansiosos e o suicídio é terceira maior causa externa de morte no Brasil. Vemos aqui, um cenário alarmante!

Pessoas estão sofrendo e morrendo por questões de ordem psíquica, isto é, de saúde mental, entretanto, ainda escutamos com frequência que psicólogo é coisa de maluco, depressão é falta de Deus, ansiedade é frescura, suicídio é coisa de gente fraca.

Não, não é! Isso é sofrimento, precisa de ajuda especializada e de todo apoio familiar e social, sem julgamentos. O suicídio é uma atitude extrema de quem já não suporta a angústia de viver, de quem possivelmente deprimiu, ficou ansioso e desesperado, mas, na ausência de ajuda, não suportou e tirar a própria vida, pareceu menos doloroso do que viver. Enquanto a sociedade não entender que o conceito de saúde é muito mais amplo do que o corpo físico, estaremos fadados a uma dor, onde o remédio não vende na farmácia. Uma dor invisível a olhos nus, mas, visível a quem sabe auscultar a alma, àquilo que vem de dentro.

Cada ser humano vive e interpreta suas experiências de maneira muito subjetiva. O momento que cada pessoa deve procurar ajuda psicológica é singular. Contudo, ao notar que está ficando triste além da conta, consumido pelo estresse, tendo dificuldade nas relações, pensamentos distorcidos em relação a você e aos outros, perda da vontade de viver ou fazer atividades que lhe causam prazer, ou qualquer outro sentimento que cause sofrimento, procure ajuda de uma psicóloga ou psicólogo. Não exite! Não adianta ignorar suas emoções, pois, sua cabeça conta tudo para o seu corpo.

Vale ressaltar que a informação e conhecimento, são essenciais para desconstruirmos os mitos que rondam a saúde mental, a psicoterapia, assim, como são formas de orientar a quem necessita.

Pâmella Rossy Duarte
Psicóloga – CRP 05/43478